12 de abril de 2013

A contramão


Estou há dias abrindo esse rascunho e pensando em como poderia escrever esse texto sem ser muito "fora da casinha" em relação ao assunto traição. A contramão te persegue, te enlouquece, provoca, te entorpece de tesão, de estupidez (MopTop manda lembranças). Não é um papo fácil, tenho discutido isso com amigos nos últimos tempos e tenho quatro ou cnco linhas de raciocínio que nasceram daí. Queria poder organizar meu pensamento como se organiza uma gaveta pra vocês entenderem melhor. Mas vamos por partes, então:

1. Traição - do latim trado.

Vamos começar trocando esse nome. Acho traição uma palavra feia e, além disso, mal vista pela sociedade. Vamos chamar de perfídia, que tem o mesmo significado. Combinado?
Pois bem, a perfídia é um assunto delicado e que tem muitas opiniões divergentes por aí. Nem eu mesma sei exatamente o que penso sobre, visto o que escrevi em meados de 2011. Claro que em dois anos minhas ideias amadureceram um pouco...

Sempre ouvi as pessoas dizerem "se for trair, não namore". Hoje concluo que essa frase tem o mesmo efeito que "se beber, não dirija": todo mundo fala, mas já contrariou ou vai contrariar alguma vez na vida, e nunca vai admitir publicamente. Não tem efeito na prática, nem com lei decretada.

2. Não é acidente.

“Traição não é um acidente. Cair de uma bicicleta é um acidente. Você não tropeça em uma vagina/pênis.”
A perfídia é uma escolha que parte da vontade. Nem sempre é uma vontade que nasce sem motivos, nem sempre é sequer uma vontade. Pode acontecer sim, acidentalmente, de você encontrar uma pessoa, conversar com ela e ser tudo intensamente foda e você pensar "Nossa, eu ficaria com ele(a) com certeza". Você precisa assumir que a vontade sempre existe pro sim e pro não. Tem gente que acha que a perfídia já nasce na vontade, no pensamento. Bom, aí estamos todos fodidos então. Nem vem dizer que não.


3. Quantas vezes seu medo foi maior do que sua vontade?

A gente tem que assumir que a vontade sempre existe pro sim e pro não, de novo. Quando comprometido com alguém, depois daquele tempo que normalmente dura a paixão (entre 1 e 3 anos, em média), você se encontra em uma zona de conforto. A vontade dá as caras de vez quando, mas a ideia da perfídia te assusta mais do que te atrai. Muitas pessoas passam a vida inteira com mais medo do que vontade. Medo de perder o certo, de ser descoberto, de cometer algo errado na visão da maioria, de ficar sozinho(a), de ser mal visto. A zona de conforto é uma bolha quentinha: você até sai pra experimentar o friozinho do lado de fora, mas sempre volta pra dentro do que te deixa confortável, estável, aparentemente bem.

4. A falsa monogamia física.

Sempre tive uma ideia que mantenho só pra mim de que a monogamia é fisicamente errada para os seres humanos. Se trocamos de parceiros ao longo da vida, por que deveríamos manter um só? (nessa hora ouve-se gritinhos admirados de "Nossa, que puta, quer vários!"). Levando em conta ainda que isso é parte da nossa cultura, que em outras a poligamia até existe, apesar de ser mais poliginia. Até por que a poliandria não é vantagem: já basta ter que cuidar de um homem, casar com vários deve ser o inferno.
O caso é que acredito muito mais em lealdade do que fidelidade, apesar das duas palavras terem quase a mesma definição no dicionário. Lealdade é de caráter, nasce com a gente. Fidelidade você cria com alguém e pode matar a qualquer momento com o menor dos atos. Fidelidade sempre me remete à posse, coisa muito errada, ao meu ver. Ninguém é dono de ninguém.


O que acontece na monogamia física é que nosso corpo sempre vai desejar outra coisa, enquanto nossa razão se força a honrar a fidelidade prometida. E quando a vontade supera o medo, a fidelidade vira máscara pra mentira.

5. A expectativa nos outros.

Geramos expectativa nos outros. Enxergamos a metade da laranja na outra pessoa toda vez que nos apaixonamos, vemos nele(a) a solução dos problemas, todas as coisas certas, nunca as coisas ruins. E isso é um ciclo: depois de um tempo em um relacionamento, você começa a enxergar as verdades, a se incomodar com os detalhes, a destoar. E a curiosidade bate, a vontade chama, a perfídia enfeitiça, e você enxerga em outras pessoas um mundo de novas possibilidades de achar aquela que vai encaixar direitinho com todas as suas ideologias. Funciona, claro... no início sempre funciona. Você vai se encantar por outra pessoa vendo nela todas as "correções" dos problemas que seu atual parceiro tem, mas vai continuar na sua zona de conforto tentando tirar proveito máximo das duas partes. Por que arriscar se a gente sabe que no fim nunca vai dar certo? É um ciclo. Vai acontecer tudo de novo.

Aí você vê que aquele casal lindo, belo e perfeito não existe nem em conto de vampiro.

Por fim

Deu pra perceber que deixei todos os tópicos em aberto, né? Não tenho conclusão, não tenho a resposta perfeita. Não tá fácil pra ninguém.

A perfídia é o monstrinho particular de cada um. Depende de como você o alimenta pra saber o quanto ele pode crescer e te dominar, ou ficar pra sempre submisso. Mas o mais importante: é problema seu, pra você lidar e pensar e agir como quiser à respeito.

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