25 de fevereiro de 2013

E eu com isso? - Sobre a vida real e as redes sociais


Pasmem ou não, a ideia para escrever esse texto me veio durante um sonho nessa madrugada. Nele, eu conversei muito com uma amiga (que existe na vida real) sobre alguns comportamentos humanos que nunca me serão aceitáveis.

A verdade é que, de uns tempos para cá, tenho entrado muito em crise com as tais redes sociais. Para quem me conhece um pouco mais, sabe que já tentei me desfazer do facebook umas 4 vezes, sendo que 1 delas foi a mais longa (a última) e que, durante essa minha estadia face-out, convenci uma legião de pessoas de que aquele espaço de exposição pessoal exacerbada não devia ser encarado como algo normal e aceitável. Sendo assim, conquistei muitas pessoas para o meu movimento "anti-facebook"(pessoas que, aliás, permanecem fora dele, diferentemente de mim, a pioneira do movimento).

Também é verdade que, enquanto estive offline, tive uma vida muito mais serena e com bem menos estresses, sem contar que meu dia se tornou muito mais extenso e proveitoso. E esse último é o principal fator pelo qual eu continuo indicando que as pessoas larguem essa porra toda e vão curtir a vida. Sim, eu acho mesmo que as pessoas não curtem a vida como devem por conta dessas desgraças de redes sociais.

Apesar de apresentar ainda alguns comportamentos que me auto-ferem na única rede social que me restou, o Cara-livro, tenho tentado e exercitado diariamente o ato do desapego e do não-estresse. Reduzi consideravelmente o número de amigos no meu perfil, tranquei as publicações no meu mural, tranquei as marcações em fotos/postagens e apaguei todos os álbuns de fotos possíveis. Não pensem que foi fácil, longe de mim mentir para vocês. Mas tem sido um esforço diário para ficar longe das coisas que me apetecem. E também é um esforço de auto-convencimento de que permanecer com meu perfil ali ainda vale a pena, ainda pode ser útil, ainda me rende algumas gargalhadas e felicidades. Mas isso também tem sido difícil pra mim...




Já fui extremamente viciada em Twitter, de postar mais de 100 vezes ao dia (quase como uma dosagem médica), sendo uma dessas pessoas insuportáveis que falam demais. Eu mesma não me aguentava, apesar de ter muitos seguidores, uma quantidade notável pelo menos, que geralmente interagiam e gostavam das coisas que eu 'tuitava'. Desse vício eu larguei tem uns 4 meses, eu acho. Mas não foi fácil, foi algo de eu contra eu mesma, acordei num dia e resolvi me desfazer dele, depois de ter tentando também umas 4 vezes sem sucesso. Mas o Twitter é mais camarada porque, depois de 1 mês que você desativa a conta, ela é totalmente apagada de fato, impedindo que você tenha uma recaída e retorne para os braços dos 140 caracteres.

Vencido esse vício, me restou o tal do 'feice', que hoje eu considero o grande câncer da humanidade. Saio com grande parte das minhas amigas e ficamos, às vezes, todas na mesa olhando o celular por mais de 5 minutos, sem trocar um olhar e/ou uma palavra. Não vão me dizer que isso não é uma doença?

Sem contar os check-ins, as marcações em fotos e etc... Tudo isso em uma noite só, entre uma cerveja e outra, só pra deixar os 'amigos virtuais' cientes de que você está em tal lugar, com tais pessoas e que, vejam só!, está extremamente feliz, alegre, bêbada e tudo o mais que se pode perceber em uma foto.


Penso dia e noite numa teoria, que eu comprovo cada dia mais, que trabalha com o vazio interior do mundo pós-moderno. E eu explico: há tanto vazio em você que, até mesmo nos momentos em que você deveria se sentir recheadinho e completo, você tem o sentimento de que não é o bastante, que precisa gritar pra todo mundo: "OLHA SÓ COMO EU TÔ CHEINHA DE FELICIDADE!". Mas, se esse grito enérgico via 'facedrugs' gera apenas 3 curtidas e 1 comentário que na verdade é spam, pronto!, encerra-se ali a felicidade toda da sua noite. E se inicia, então, uma crise existencial da não-aceitação de si mesma. E mais que isso: começam as indagações do tipo "será que fulano viu?", "por que será que fulana não curtiu?", "poxa, ninguém me acha bonita/legal/simpática?"... e é daí pra depressão profunda, minha gente, não tem saída.

Eu sei que estou sendo extremamente radical e pessimista, mas acho mesmo é que estou analisando com muito afinco algo que deixamos passar e tomar nossas vidas e nosso cotidiano, a tal ponto que começamos a viver aquele perfil no dia-a-dia. Sim, viramos perfis-do-facebook ambulante, nada mais soa natural, ou bonito naturalmente. E dou exemplos para ser mais clara: se eu peço um prato gostoso num restaurante, ele só fica realmente gostoso se eu postar no instagram; a balada da noite anterior só pode ter sido A BALADA se eu tiver postado pelo menos 5 fotos no meu perfil, sendo cada uma delas com legendas de piadas internas e com sorrisos de orelha a orelha; uma declaração de amor só é realmente uma declaração de amor se for feita pelo facebook em seu mural, se alguém mandar via inbox é porque o amor não é tão grande ou, pior, a pessoa tem vergonha de dizer que você é especial em público.

Por fim, o que quero dizer com tudo isso? Perfis psicológicos têm sido traçados via perfil do facebook, e isso me assusta bastante. Porque se eu postar uma música, não necessariamente é uma indireta, pode apenas ser que eu goste muito daquela música, apenas...

Não tenho problemas com as pessoas que expõem deliberadamente suas vidas em redes sociais, se isso faz com que elas se sintam melhor, tudo bem, economizam na terapia. Mas façam isso quando estiverem em casa, no aconchego do lar. O que me irrita e me fere, apenas, é o fato de não poder sair com pessoas que gosto sem que elas me pareçam robôs programados para olhar a cada 10 minutos o celular para checar se o mundo está aprovando a sua estada naquele bar, tomando aquela cerveja na minha companhia.


Então, ensinarei um exercício para vocês, interessados em se desprender do celular na balada, mas que não sabem mesmo por onde começar. Quando tirarem uma foto ou desejarem fazer um check-in ou pensarem em postar alguma piadela que surgiu entre você e seus amigos presentes naquele momento (mas que não faz nenhum sentido fora do contexto), se coloquem no lugar da pessoa que está com o computador ligado e acessado no site do facebook, se imaginem olhando fixamente para sua foto/check-in/postagem e reflitam... Se a única reação mental sobre isso for algo parecido com "E eu com isso?", PARE E PEGUE NO BUMBUM. Em seguida, desligue o facebook, o celular e essa vontade louca de mostrar pros outros que você está bem. À princípio todos estão bem, é o que se espera. Se algo de ruim lhe acontecer, por deixar!, notícia ruim se espalha mais rápido que vento, todo mundo vai saber, até quem você não queira (e esse vai curtir, mesmo que só mentalmente).

Atenção! Lembre-se: eu não estou pedindo para você concordar com tudo isso. Eu não me importo!
E pra você que está se perguntando "mas cadê a graça desse texto? num é um blog de 'humor'?", eu respondo: a graça é rir da sua cara, das suas fotos e dos seus problemas mentais, que estão todos publicados publicamente (eco da porra!) naquele seu 'profile' de merda.

Obs: para terminar mesmo, uma ilustração via vídeo/propaganda do quão ridículos podemos parecer via redes sociais. (e eu particularmente A-D-O-R-O essa propaganda, morro de rir e associo a várias pessoas que conheço, muahaha)



Beijos de luz!

1 comentários inúteis:

  1. Cara, que legal! Muito interessante topar com esse texto justamente no momento em que estou passando por algo tão parecido. Eu nunca excluí meu facebook de fato, mas já troquei de perfil umas 4 vezes... Sempre tentando "filtrar" os melhores amigos, mas descobri que sempre deixava escapar algum detalhe que trazia de volta algumas pessoas, amigo do amigo do amigo que nem é tão chegado mas que soa como ofensa se você excluir ou não aceitar o pedido de amizade.

    Há uns dois meses comecei um trabalho interior de não visitar mais o feed de notícias, e de lá pra cá venho tendo pelo menos 90% a menos de aborrecimentos que tinha antes. Sem ver indiretas, troca de ofensas, discussões vazias, preconceituosas... Sei que com isso perco muito conteúdo interessante e engraçado também, mas o reader do google tá aí pra isso, né? Sem contar que seus amigos de verdade te conhecem e volta e meia te marcam em alguma coisa que acham que você vai curtir.

    Se hoje eu não tenho coragem de excluir minha conta no "feice" é porque o contato com alguns amigos ainda é feito quase que exclusivamente por ali, e então surgiu essa ideia, de construir um fake genial, sem qualquer coisa que ligue a mim e como você, tudo trancado. E sem nenhum album de fotos. Nesse momento o facebook deixa de ser entretenimento e passa a ser de fato, uma rede de contatos, para não perder contato com as pessoas que me são caras.

    Do twitter já me desfiz há cerca de um ano, acho... E pelo mesmo motivo, via muita coisa destrutiva, e o politicamente incorreto já estava cansando. Agora, livre de tanta auto-afirmação barata, de toda essa felicidade plástica e devidamente medicada, me sinto muito, muito melhor. E a cada dia sem feed de notícias, menos falta faz. É bem uma rehab mesmo.

    Enfim, curti muito o texto, me identifiquei pacas. Beijos de luz! hauhauhauahuahuahua

    ResponderExcluir

Vai, comenta! Não dói nada!