5 de novembro de 2012

O que aprendi com os filmes...



Eu: Assisti a um filme bobo hoje e chorei feito criança, o troço tá feio pro meu lado, emocionalmente falando.
Amiga: Se você chorou, quer dizer que você sente as coisas ainda, é importante...
Eu: Mas chorei por me identificar com a protagonista da forma mais cruel.
Amiga: Qual era o filme?
Eu: Uma comédia besta, aquela "Operação madrinha de casamento", sente só o meu drama.
Amiga: Nem assisti, rs.
Eu: Nem assista. Achei cruel. Tá escrito que é comédia, mas eu achei um tanto cruel.
Amiga: Vou assistir...
Eu: rsrsrs, eu filosofando sobre um besteirol norte-americano...
Amiga: Não é sobre besteirol, é sobre você mesma.
Eu: Ao me ver num besteirol, estado crítico, rs.
Amiga: rsrsrs, temos um pouco de besteirol, num é não?
Eu: Bastante!

Quem nunca chorou com uma comédia romântica com nome traduzido bizarramente para o português, que atire a primeira pedra!

Claro que, para as mulheres, esse momento é facilitado pela TPM, mas tenho muitos amigos que choram e muito com filmes "romantiquinhos" e melosos. A catarse é inevitável, daí o choro. Identificação sempre acontece, seja com um protagonista, com um coadjuvante ou até mesmo com um figurante que passou por detrás da cena com um guarda-chuva preto de bolinhas vermelhas.

Não importa o grau, mas o filme (e as artes como um todo) é criado para que a identificação exista. É o combustível que faz girar a engrenagem do enredo. Comigo não é diferente. Aliás, sempre termino de ver o filme com a sensação de que só eu chorei ou que, pelo menos, eu fui a que mais chorei, sem dúvidas. No início, eu tentava esconder as lágrimas, respirar fundo, segurar o choro. Agora que choro até vendo comercial de margarina, desisti.


Depois do diálogo que reproduzi no início do texto, fiquei muito pensando sobre isso, sobre o que eu devo ter aprendido com os filmes aos quais assisti até hoje (e nem foram tantos, visto que sou daquelas que durmo antes mesmo da metade da história). Sem dúvidas, aprendi muito.


Nos tempos mais remotos, aprendi que não se deve treinar o primeiro beijo na laranja,  que sutiã com enchimento de algodão nunca dará certo (melhor assumir que é despeitada mesmo!), que eu não nunca serei aquela mocinha do filme porque não recebo o salário que ela recebe e porque sequer fiz algum curso de teatro. Já na adolescência-quase-adulta, aprendi que filmes com enredos menos óbvios são mais interessantes, mas que, quando o objetivo é curar dor-de-cotovelo, melhor mesmo é locar Como se fosse a primeira vez e aceitar que seu ex-namorado nunca chegará aos pés do Henry (até porque ele é o Adam Sandler!!!) e que você nunca será a Lucy, por mais que você deseje com todas suas forças esquecer tudo que aconteceu no dia anterior.


Sobre os filmes com enredos menos óbvios, aprendi algo essencial: assim, de imediato, eles até podem parecer não ferir, mas a cada dia que passa eles vão doendo, remoendo, sufocando, até que você entenda que deve parar, chorar e pensar, pensar muito sobre o impacto daquele enredo sobre você. E isso faz bem, incrivelmente. Você sai desse processo disposto a passar na locadora e levar pra casa um Melancolia pra passar a noite, mesmo sabendo da consequência desse ato.
Agora, com elas, as comédias românticas, que você começa a ver já sabendo como vai terminar, eu também aprendi bastante. Aprendi sobre a identificação inevitável, por mais clichê. Não vou dizer aqui que aprendi sobre o amor, o auto-controle ou sobre "como eu devo ser quando crescer", ou ainda sobre "como emagrecer em 10 dias". Tudo isso não é possível de se apreender apenas por um filme.
Eu aprendi mesmo foi sobre alguns medos, alguns anseios e até sobre algumas repugnâncias inimagináveis. Talvez o nome disso seja auto-conhecimento, mas não me atrevo a categorizar, não sei se é possível considerar essas sensações como uma forma de se auto-conhecer. Mas o sintoma que fica é esse, de se conhecer melhor e de forma inusitada. De, inclusive, se surpreender consigo mesmo. E rir de si. Rir das irreverências encontradas no limbo do eu-mesmo. Quase um divã, só que numa terapia mais barata e, talvez, nem sempre eficaz! (Freud que me perdoe por essa analogia, rs)



E se, por acaso, eu me tornasse colunista de testes da Capricho, substituiria os infindáveis testes "Descubra quem é você em Crepúsculo!" por "Descubra o que você sente ao assistir Crespúsculo!". No caso de Crepúsculo seria fácil, porque só haveria dois resultados: você ou sente náusea ou sente sono. RISOS



Obs: mantenho firme a posição de que Operação madrinha de casamento tem um enredo super cruel, meritíssimo!

4 comentários inúteis:

  1. Eu sempre choro vendo comédia romântica (deve ser pq minha vida romântica é uma comédia)... Mas tem um que é inevitável "De repente 30" (pelo menos é essa a tradução), nem cheguei nos trinta, mas sempre tenho a sensação que caí de para quedas na "vida adulta"!

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  2. Eu sempre choro vendo comédia romântica (deve ser pq minha vida romântica é uma comédia)... Mas tem um que é inevitável "De repente 30" (pelo menos é essa a tradução), nem cheguei nos trinta, mas sempre tenho a sensação que caí de para quedas na "vida adulta"!

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  3. Eu sempre choro vendo comédia romântica (deve ser pq minha vida romântica é uma comédia)... Mas tem um que é inevitável "De repente 30" (pelo menos é essa a tradução), nem cheguei nos trinta, mas sempre tenho a sensação que caí de para quedas na "vida adulta"!

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  4. Eu aprendi que ser maquiadora de defunto deve ser bem interessante, que eu não tenho grana pra mudar a forma como uma menina se veste, então, não adianta me solidarizar pela causa, que eu não tenho uma irmã gêmea perdida por aí me esperando para entrarmos em grandes aventuras, que minhas férias são melhores que daquelas famílias que vão pro Havaí e que o cara mais gato do colégio não vai me dar bola porque eu o ajudei a passar em matemática! Mas tento evitar as comédias românticas para não ver que a minha vida está um pouco pior que a da atriz coadjuvante que não tem vida própria e vive pela atriz principal!

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