30 de março de 2012

O limite entre prazer e compulsão


Em uma cena de um filme do Woody Allen, um casal aparece nos consultórios de seus psicanalistas. Eles procuram terapia. Ela o acusa de maníaco sexual, ele a chama de frígida. O psicanalista pergunta ao homem com qual frequência ele tinha relações: ''Quase nunca, no máximo uma ou duas vezes por semana.'' No outro canto da tela o psicanalista da sua noiva faz a mesma pergunta e ela diz: ''O tempo todo, uma ou duas vezes por semana.'' 

Parece implicância feminina, mas é muito comum. O homem sempre visto como maníaco e a mulher como a frígida, a que não tem desejo, a geladeirinha ambulante. Claro que existem exceções. As ninfomaníacas, por exemplo, nome que os homens dão aquelas mulheres que sentem mais vontade de transar do que eles. Mas vamos nos focar na generalização, não nas exceções.



A compulsão por sexo é uma DOENÇA, que isso fique bem claro. E por compulsão entenda: comportamentos estereotipados que não são agradáveis nem úteis, mas fazem com que a pessoa fique muito ansiosa se não executá-los e repeti-los numerosas vezes, e não seu namoradinho foguentinho que não te deixa tirar uma soneca no meio da tarde.
Mas a falta de tesão também pode ser uma doença: a frigidez é denominada como disfunção ou alteração da função sexual, principalmente do desejo, e esta disfunção se deve na maioria das vezes a bloqueios total ou parcial da resposta psico-fisiológica.
Whatever. Vamos falar nossa língua. 
Hoje em dia o sexo se tornou fácil de falar, porém mais difícil de fazer. É muito mais comum debater assuntos sexuais abertamente, mas ficou mais difícil manter relações sexuais frequentes com seu parceiro. O dia-a-dia se torna cada vez mais corrido e quando você chega no fim do dia, cansada do trabalho, do stress, da faculdade e do trânsito, fica complicado ainda ter que ser a boa esposa na cama. Falo por experiência própria.


Já tive muita encanação com esses papos. Já briguei muito também por que a minha vontade super discorda da vontade do meu parceiro. Mas o problema é que quando você é dona de casa, trabalhadora, universitária e esposa ao mesmo tempo em turno integral, claro que a coisa dificulta. Quando vejo minha cama, é inevitável que a primeira coisa que eu pense seja DORMIR depois de um dia tenso. Ele prova um pouco disso às vezes, mas o importante é que sempre tentamos equilibrar as coisas.

O importante é que esses problemas devem ser discutidos demoradamente entre o casal, e sim, repetidos diversas vezes se for preciso, pois podem causar rachaduras profundas nos alicerces do relacionamento. Existe limite entre prazer e compulsão, e você deve saber identificá-los.

Quando o homem insiste na pressão, há uma carência de proximidade e certa insegurança ocultas pelo machismo irracional. Interessante é que quando se consegue em terapia uma liberação sexual da esposa, aquela ''fome'' do homem desaparece em poucos dias, porque as carências são satisfeitas e ele desiste do status de ''máquina sexual'' e a paz se estabelece.

E se for uma doença?
Os compulsivos são pessoas muito diferentes dos carentes descritos acima ou mesmo daqueles com desejo acentuado. São pessoas que estão em constante estado de prontidão, são caçadores sempre à espreita de atividade sexual como se estivessem sempre insatisfeitos e famintos.

Frequentemente se arriscam para obter alívio da tensão sexual. Qualquer coisa por um orgasmo ''fast food'' e tolerância zero. São autênticos ''sexólatras'' com sintomas de abstinência muito semelhantes aos drogados e um estado de euforia e intenso prazer após o sexo que lembra muito o ''barato dos noiados''.

Se você for uma pessoa assim, procure ajuda psicológica.
Por fim...
Favor não confundir estes dependentes de sexo com os felizardos premiados com um alto e esplêndido apetite sexual.

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