12 de fevereiro de 2011

Dia de Visita - Nando Viana


O Amor e o Automóvel

No relacionamento ou a coisa dá certo ou não dá certo. Simples assim. O problema é que as pessoas complicam tudo. Gosto de uma metáfora que andei pensando em que comparo os relacionamentos a uma coisa material, e por isso fácil de racionalizar. Eu comparo a compra de um automóvel.Existem dois tipos de pessoas que compram carros. As que querem um modelo específico. Ano 2003 ou mais novo. Na cor preta. Quatro portas. A gasolina, porém econômico. Se possível direção hidráulica e Air Bags. O carro dos seus sonhos.

E há quem compra o carro porque quer um que apenas a leve nos lugares. E deu. Não importa como ele será, nem nada disso. O que importa é ele cumprir essa função básica. E por ser uma função elementar qualquer carro serve. “É só querer me transportar que eu quero ele”.
É fácil de imaginar que quem sabe o que está procurando demora mais tempo para escolher. Sabe da importância dessa etapa para a opção ser pelo menos próxima do que se esperava. Já quem não escolhe fica a mercê da sorte.

Passa um tempo e aquele que escolheu muito demora para ter algum problema com o veículo. As medidas foram tomadas antes. Não existem insatisfações, pois ele é aquilo que você procurava.
Quem queria o carro para apenas se locomover em seguida começa a notar problemas. O carro engasga numa manhã de domingo. Consome mais do que gostaria. Começa a falhar de vez em quando. Tem um problema no amortecedor que você não sabia. E você vai se irritando. Cada novo problema é uma nova irritação. Até que, por essas fatalidades que estamos sujeitos, o pneu fura. Ele não teve culpa. Ninguém tem. Mas você se irrita também com isso. É a relação dos dois se desgastando.




Enquanto isso, aquele que foi mais paciente na hora da decisão está numa linda viagem de férias. Se divertindo e cruzando vários lugares maravilhosos. Fotografando e documentando os momentos fodas da vida, para quando a memória já não ajudar mais.
E quem não escolheu direito começa uma série de questionamentos. “Por que você é assim carro? Por que você é verde? Eu queria que você fosse azul. Tu não consegue ser azul por mim? Mude por mim. Seja quatro portas. Eu sempre quis um carro quatro portas. Por que você não é?” Pelo simples fato de ele já não ser quatro portas desde quando você o comprou. Só por isso. Então algum amigo pergunta “mas por que então você não troca de carro?”. E a resposta geralmente é: “É que ele ainda me leva onde quero”.

“Ainda” você disse bem. Ainda...

Então chega aquela época que o carro não liga mais. Para de funcionar. Não faz nem o papel mais elementar que qualquer carro faz. A pessoa perde horas de seu precioso tempo tentando consertar ele. Fazendo uma chupeta na bateria. Calibrando os pneus. Tentando fingir para si mesma que não vai mais reclamar que ele não é quatro portas. Que não se importa mais com isso. Que vai mudar e se adaptar ao carro como ele é. Vai se anula para continuar com aquele carro.

E então um amigo novamente pergunta: “mas por que tu não troca de carro? Por que não pega um carro que seja como você gostaria? Que seja como você sempre sonhou.”

E a resposta que escuta é: “Por que eu quero que seja ESSE carro.”

E nesse momento todos os sonhos, pensamentos e desejos que sempre se teve dão lugar a apenas uma coisa: ao capricho.

Como disse no início, é tudo muito simples. Ou dá certo ou não dá certo. Geralmente é obvio e está lá para quem quiser ver. Para quem não quiser se iludir. Para quem quiser por um segundo ser racional e corajoso para tomar as medidas que precisa para ser feliz.

Com o carro que você merece.

Um dia vou escrever um livro sobre isso. E se você concorda com tudo até aqui, espero que o compre. Vou ficando por aqui. Um beijo pra todo mundo.
“Nem bom. Nem mau. Nando Viana.”







Nando Viana
Comediante Stand Up

9 comentários inúteis:

  1. Fato mesmo.
    Até o momento em que você começa a pegar carona, entrar em outros carros. Ou ao contrário, o seu carro passa a ser bem visto pelo vizinho, colega. Porque eles não sabem dos problemas que você passa com seu carro, eles apenas veem um carro, que, no mínimo, te transporta, e isso todos querem!

    Já não basta mais comprar o carro certo, trocar e seja lá o que for. A solução é sempre deixá-lo limpo, brilhando, cheiroso e, de preferência, com seguro total pago! Hehe

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  2. Acho que o carro do vizinho é sempre melhor que o nosso... pq a gente não o conhece. Se pudemos fazer um test drive de 1 mês antes de adquirir um carro (ou um namorado), a coisa seria BEM diferente.

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  3. Pudessemos*
    (preguiça de apagar só pra arrumar)

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  4. eu ainda acho q esse nando tem q publicar um livro logo!...

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  5. Adorei o Texto Nando! concordo com a Malu publica logo um livro vai =)

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  6. Eu sou a que escolhe o carro ideal. Mas não tenho esperança de encontrá-lo.

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