19 de outubro de 2010

O que aprendemos na escola



A sua vida escolar começa de acordo com a vontade dos seus pais. Uma vontade bem filhadaputa, no meu caso, porque meus pais me colocaram tão cedo na escola que eu tive professor que me ensinou a desenvolver o intestino delgado, quando eu ainda era um feto. Eles ajudaram muito na minha formação. Na formação do meu caráter, da minha inteligência e dos meus braços, nesse caso específico.
Você com certeza se lembra de seus primeiros dias na escola. Você chegava e tinha um cara bizarro vestido de personagem da Disney paraguaio, onde o Mickey mais parecia um rato de laboratório após ser submetido a testes nucleares.




Daí sua mãe te empurrava praquele lugar cheio de gente grande e gente pequena, cheio de gente bonita e gente feia. Cheio de gente! Mais gente do que você já viu em toda sua vida. E ela ainda diz: “olha lá, os seus amiguinhos!” – você olha pra frente e vê o Mickey cancerígeno, meia dúzia de professoras gordinhas e baixinhas com camisa indiana e um monte de menino catarrento berrando mais que você.




Bom, como você simplesmente não tem escolha (a não ser que fuja de casa e se envolva com o tráfico internacional de drogas e prostituição infantil), você continua freqüentando a escola. Sua mãe fica te vigiando nos primeiros dias, pela janela. Para alguns, durante um ano inteiro. Para outros, mais raros, a mãe prepara o mirabel e o antártica caçulinha pro marmanjo levar pro grupo de estudo do doutorado. E se é o seu caso, a não ser que você seja um filhodaputinha super dotado, encare a realidade: você é ridículo. Grosseiramente ridículo.
Mas, continuando. Um belo dia, você acorda gripado e começa a se desesperar com a perspectiva de ter que fazer a hora do soninho e derramar catarro no colchonete. Então, você descobre que quando tá doente, não precisa ir à aula. Essa descoberta simplesmente muda sua vida. Muda sua vida. Muda sua vida. Você vai usar isso até morrer. Você vai faltar ao velório da sua tia-avó alegando doença. Você vai faltar ao seu casamento alegando doença. Você vai alegar doença quando assassinar brutalmente o seu filho com um destrinchador de frango.
Durante seu período escolar, você vai descobrir três coisas na vida: que a doença pode ser sua salvação, que você nunca será tão bom quando seu coleguinha e que lá, ês cola. É por isso que se chama escola. Porque lá ês cola. (turumtsssssssssssssssss).
A cola é uma coisa linda e maravilhosa que não serve só pra pregar o seu desenho com giz de cera no seu caderno encapado com prástico cororido.
A cola é uma coisa mágica que ativa sua memória muito mais rápido que comer ômega 3 durante toda a sua vida. E ninguém vive sem isso. A não ser que você seja o filhodaputinha super dotado lá de cima.
Então você consegue fechar todo o ciclo do ensino fundamental e médio simplesmente alternando entre as duas saídas: colar ou adoecer. Você vira um verdadeiro expert em atuação e espionagem. Ou seja: a escola nada mais é que um preparatório para atuar no Missão Impossível.
Depois de tanta coisa, você chega ao último ano do Ensino Médio. Para alguns, como eu, é lá que você aprende os prazeres da vida bandida. O que demoraram mais de dez anos para construir, você vai lá e destrói com oito doses de tequila. Você vai fazer o vestibular, que é assunto pra outro post, e você pode ou não passar. Se você passa, colocam uma faixa ridícula na porta da sua escola. Se você não passa, você volta a aprender tudo que aprendeu desde a primeira série, com um bando de fracassados velhos que nem você, num lugar chamado cursinho pré-vestibular. Eu já fiz. É uma bosta. Mas depois eu entrei pra faculdade. E na faculdade, você confirma tudo aquilo que você sempre achou no período de escola: você NUNCA vai precisar saber dominar um logaritmo complexo. A não ser que seja um filhodaputinha super dotado, das duas vezes lá de cima. Na faculdade, você vai pro bar todos os dias, e, às vezes, aparece na sala de aula. Você necessariamente se apaixonará por um professor no primeiro período e você fará coisas estúpidas. Se comportará como uma mocinha de treze anos assistindo um filme do Freddie Prinze Jr a cada aula do professor desejo.



É ridículo. E você sabe disso. Mas você faz.
Dizem que quando você sai da faculdade, também descobre que tudo é inútil. Mas não posso afirmar porque eu infelizmente ainda tô presa nesse lugar que teoricamente não te prende. Eles não exigem sua presença, mas você toma pau se tiver mais de cinco faltas por década. Quer dizer...
Mas a faculdade é um lugar legal. Alguns perdem a virgindade nessas épocas. Alguns nunca perdem. Alguns desfilam com vestidos minúsculos no curso de Turismo e aparecem na capa da Playboy alguns meses depois (Nostradamus já dizia).



No final das contas, escola é tudo a mesma coisa, não interessa em que etapa você esteja. Um monte de gente safadinha colando trabalhinhos, provas ou velcros, trepando no muro, no balanço do parquinho ou na putchenha peitchuda. Fingindo doença ou ficando doente de verdade com o prazo da monografia. Seja você mesmo e você vai se fuder. Copie o grupinho com maiores seguidores (no twitter) e você se dará bem. É só disso que você precisa saber para o resto da sua vida. Na matemática, regra de três resolve tudo.

12 comentários inúteis:

  1. hahahaha, ri muito!
    Marielle, me apaixonei por esse post. Um dos meus preferidos, fato.

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  2. realmente, a cola se torna cada vez mais indispensavel na sua vida!

    ah, e sem contar, a personalidade q as pessoas da escola acham q vc tem, e q vc muda completamente, pq vai + pro bar! =P

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  3. geeeeeeente, como me identifiquei em TUDO, disse, TUDO, que voce escreveu.uahuahauuah
    Otimo texto Mari, escreva textos maiores, e continue tomando activia.;)

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  4. kkk... Dessa vez a identificação foi minima com a Marielle e 75% com o tal filhodaputinha! hahaha

    Mas concordo com ela numa coisa: Na matemática, regra de três resolve tudo.

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  5. lá no fundinho, vc é moleque? tipo: se, em buraco de cobra, tatu caminha dentro, tem culpa eu?

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  6. Quem não cola não sai da escola já disse um sábio, ao menos é claro que vc seja o filho da putinha super dotado que a mari falou, e o golpe da doença tem gente que sai da escola sabendo tanto essa mátéria que vai direto pra faculdade de Medicina ou farmácia e é por isso que só os farmacêuticos entendem as receitas afinal eles estavam com os médicos matando aula e criando um código pra dominar esses cursos hehehe... adorei Mari kisses

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  7. A foto da baleia estragou o post...
    Parabéns, adorei! Você, como sempre, escrevendo maravilhosamente bem :)
    Não tinha personagem da Disney no meu primeiro dia, e nem hora do soninho...mas os traumas são os mesmos! hahaha
    Beijooo linda

    Nana

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  8. Adorei o post...
    Concordo com vooc!
    Eu já terminei a faculdade (Administração) na verdade sou Butekeira, sei tudo que servem lá os preços e quais os dias que mais bombam! Dos professores aprendi que uns não justificam faltas, outros só enrolam e há aqueles que ainda tem esperança de alguém prestar atenção na aula fora do período de provas...
    Mas eh issoo, se for falar tdo da um post! =D

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  9. Sabe o que é o pior de tudo isso que falou?? é um dia ter que acordar, troca de roupa, não pode ir de havaiana(isso é um detalhe importante), porque eu sempre quis ir na escola de havaiana!!! mas o pior que depois disso tudo você acordar e levar seu filho na escola e pior encontrar uma pessoa que estudou com você..da aquela risadinha e fala éé ..Somos como nossos pais...ahhahaha

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  10. Fantástico! Muito bom mesmo. A descoberta da doença foi o mais bacana rsrs

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