22 de julho de 2010

No tom errado...


Segundo a lenda, homens que passam debaixo do arco-íris tornam-se mulheres e vice-versa; isso talvez explique as roupas exageradamente coloridas de bandas semi-algumacoisa como Restart, Fresno, Cine e afins.
O termo semi-algumacoisa foi uma maneira de expressar a péssima impressão que essas bandas pré-adolescentes me causam, com aquelas calças agarradíssimas, acessórios chamativos e canções que, minha prima de 10 anos, poderia ter inventado sem esforço algum.
Não consigo chamá-los de “semi-gays” pois, tecnicamente, isso seria a definição de bissexual ou algo do tipo. Digo o mesmo para “semi-heteros”. Não posso também considerá-los “semi-adultos” uma vez que o termo correto para essa situação seria “adolescente” e adolescentes tendem a EVOLUIR.
Enfim, decidi escrever algo sobre “música”, e de “música” mesmo não escrevi absolutamente NADA até agora. Vamos então aos compositores e intérpretes de verdade...
Clara Nunes. Minha diva maravilhosa e eterna rainha do samba-de-raiz. Além de linda, destaco sua inconfundível voz. Apesar de suas letras extremamente ‘folclóricas’, cheias de “Ôxuns” e “Iemanjás”, me atrevo a dizer que além dos termos regionais, suas “histórias cantadas” tem um quê de complexas (ou óbvias demais), cujo meu pensamento lógico intolerante se recusa a aceitar, como no caso de “O mar serenou quando ela pisou na areia, quem samba na beira do mar é sereia.” (...)



- Oi?
Se eu fosse uma sereia, conseguisse finalmente um par de pernas, a ultima coisa que eu faria seria perder meu tempo sambando na beira do mar! Bom, mas deixemos de lado certas observações...
Ainda dentro do gênero samba, aproveito pra fazer uma consideração: Adoraria distorcer também as letras do mestre Adoniran Barbosa, mas isso ele mesmo já o fez, com seu português errôneo e situações ridiculamente poéticas, que adoramos imaginar.
Quanto a letras como “Madalena, Madalena, você é meu bem-querer. Eu vou falar pra todo mundo que eu só quero é você!” podem até ser musicalmente agradáveis, mas juro que, se eu fosse a tal Madalena, odiaria ser alvo da paixonite de um fofoqueiro carente que sai por aí espalhando seu amor por mim. Vai falar pra todo mundo mesmo? Poxa! Aproveita e já fala pra todo mundo que eu to te dando um fora!
Adoro traçar os perfis psicológicos das tais “musas” desses grandes sambistas. Enquanto Amélia, de Mário Lago, “às vezes passava fome ao meu lado...”; Rita, de Chico Buarque “levou meu sorriso e no sorriso dela meu assunto. Levou junto com ela o que me é de direito, arrancou-me do peito, e tem mais...” a piranha da Rita levou tudo mesmo! De imagens de São Francisco a discos de Noel. Ou seja: quando o assunto é mulher, seja Madalena, Amélia ou Rita; lápis e papel se transformam em sambas adoráveis. (Isso quando as malditas não resolvem ser atropeladas, como no caso de Iracema, de Adoniran Barbosa.)
E Caetano então? Como se não bastasse ter a irmã mais feia que ‘encoxar a mãe no tanque’, decidiu filosofar engatado na primeira. Se Deus fosse o Caetano Veloso teria COMEÇADO a fazer o mundo no sétimo dia. Há quem diga que “Caetano NÃO é gay!... Seu eu-lírico é feminino.” (...) Afirmação típica de gay. (sem preconceitos!).
Caetano é confuso. Tão confuso como a Amy Winehouse, por exemplo, que além de usar drogas luta para equilibrar seu ego, eu-lírico, eu-interior, e ainda nem decidiu se vai ser celebridade-decadente ou drogada-prive.
Existem outras afirmações em determinadas letras que são inquestionavelmente incompreensíveis, como no caso de “Pra entender o erê, tem que tá moleque... Tem que conquistar alguém, e a consciência leve.” (...) Mew... vai da o cu mano! (como diria o filósofo Fábio Rabin!). Meu QI-ameba não tá colaborando ou a intenção do Tony Garrido era justamente que ninguém entendesse porra nenhuma dessa frase mesmo? Talvez seja porque eu não ‘tô moleque’ o suficiente.
E trechos como ...
“Em cima do guarda-chuva
Tem a chuva, tem a chuva
Que tem gotas tão lindas
Que até dá vontade
De comê-las.”
Devo classificar como “barato de rinosoro” ou “nóia de colírio”?
Nem preciso então comentar os “trocadalhos do carilho” desse cenário musical brasileiro pseudo-internacionalizado como por exemplo: “Quando ela cai no sofá... SO FAR AWAY”, “Eu sô free, sempre free, sô free demais...”
Em meio a declarações, protestos e brigas públicas, salvam-se diversos gêneros e, entre eles, não devemos incluir o kama-sutra musical de baixa categoria intitulado Funk, entre outras. Nessa fauna artística, a espécie Pagodeirus Traídus, ainda (infelizmente) não extinta, renderia mais uma bela crise de Tpm; mas como sou uma mulher extremamente controlada, paro por aqui. E quem discorda: VÁ A MERDA!
Bjos miiil.

18 comentários inúteis:

  1. Olha só, o gardenal mandou bem!!

    ResponderExcluir
  2. HAHA...Perfeita a postagem. Parabéns!

    ResponderExcluir
  3. Malu, como sempre, arrasando nas definições!!! "o kama-sutra musical de baixa categoria intitulado Funk...a espécie Pagodeirus Traídus, ainda (infelizmente)"
    as melhores frasaes do blog praticamente!! kkkkkk

    ResponderExcluir
  4. Rsrsrs.. disse tudo! Adoro o TpmSemanal #viciei

    ResponderExcluir
  5. concordo em genero numero e igual ahahahha

    ResponderExcluir
  6. Caríssima:
    Todos detestam aqueles que vivem dado “pitaco” nos “posts” dos outros. Eu também detesto, apesar de não alimentar nenhum blog. Contudo, lendo sua postagem não resisti. Desculpe.
    Há um pequeno erro de informação no texto: “Enquanto Amélia, de Adoniran, ‘às vezes passava fome ao meu lado...’". A canção não é do Adoniran; “Ai, Que Saudades da Amélia”, música de Ataulfo Alves e letra de Mário Lago.
    É isso
    Beijinhos
    Jorge Miguel

    ResponderExcluir
  7. Caraca, adorei...e pra aproveitar, se vc conseguir entender, ou alguém se dispuser, eu adoraria compreender a letra da Ceu (para quem não conhece, ele é ótima, a música é a AVE CRUZ -

    ainda não vi terço
    ainda não vi quinto
    das novelas de tv
    o que há de ser
    não há letreiro
    no final pra ver
    o meu banheiro
    ainda não está equipado
    não tenho jacuzzi
    nem chuveiro a vapor
    meu deus faça o favor
    de retornar o recado

    ResponderExcluir
  8. "Quando ela cai no sofa.... tão distante"

    Vai entender... é Que nem música do Ed Motta "Cidade núu, noi neo, gata de ruuu ronron luar
    Saio da caaaama pulo a jané, ninguém como ela ao luar"

    ResponderExcluir
  9. "Talvez seja porque eu não ‘tô moleque’ o suficiente." ahauahaauahua muito bom. Essa parada vicia, todo dia eu venho aqui =]

    ResponderExcluir
  10. comecei a acompanhar o TPM semanal essa semana (nossa, ficou ruim isso) e estou adorando os posts, são simplesmente inspiradores e adorei a sinceridade e concordo 100% com o que foi dito e iria adorar um post desse sobre funk! e "análise de músicas" do restart e cine (é uma bosta!).

    muito bom. bj

    ResponderExcluir
  11. Sua intenção foi flar mal dos coloridos ou flar mal da musica nacional em geral?

    ResponderExcluir
  12. Posso começar corringindo os outros (pra variar)?

    - Renan Botelho!
    Não sei se vc escreveu errado de propósito, mas o que sempre entendi dessa música do Ed Motta foi: "Cidade nua, noite neon, gata de rua faz ronron ao luar. Saio da cama pulo a janela"


    Enfim.
    Não gosto de samba. Sei lá.

    ResponderExcluir
  13. Ahhh, não fala mal vai, tem letras incríveis e inteligentes nos representantes da nossa música.

    Sandy: O que é imortal não morre no final.
    Araketu: O fogo é fogo, esquenta.
    Chico: Amanhã vai ser outro dia.

    Sem contar a melodia sofisticada, as rimas ricas e internas dignas de inveja de Olavo Bilac: "O Araketu o Araketu quando toca,deixa todo mundo pulando que nem pipoca".

    Adorei o blog de vcs meninas!! Estou acompanhando!

    ResponderExcluir
  14. Cara Bruna Fávaro:

    "Sem contar a melodia sofisticada, as rimas ricas e internas dignas de inveja de Olavo Bilac: 'O Araketu o Araketu quando toca,deixa todo mundo pulando que nem pipoca' "

    VOCÊ ESTÁ FALANDO SÉRIO? Não, né? É uma irnonia, não é verdade?

    É isso
    Jorge Miguel

    ResponderExcluir
  15. Jorge Miguel,

    CLARO que é uma ironia, rs.

    abs
    Bruna

    ResponderExcluir
  16. Aê galeraaaa... li todos os comentários e amei!
    Continuo voltando em todos os posts praticamente para ver novos comentários eim, não me decepcionem! hauahauahau
    JM, valeuzão por avisar. Estou retificando...
    Bruna Fávaro... eu raxeeei com o seu comentário. kkk
    E ***Bruu***.. a intenção na verdade não era simplesmente 'falar mal', apesar da preferência musical dos brasileiros ser deprimente... a intenção era apenas fazer uma crítica bem-humorada a certas canções. Inclusive confesso que foi difícil encontrar algo para criticar em músicas tão boas que citei.
    É isso. Estou cada vez mais feliz com os incentivos de vcs galera.... DEMAIS!!amoo!
    bjos miil.

    ResponderExcluir
  17. Discordo sobre o Funk ser um kama-sutra musical. Eu acho esse estilo musical muito bem desenvolvido ao longo desses anos, com ajuda de mestres como: mc créu, mc serginho e lacraia..

    E eu pensei que só eu achava o Caetano meio bicha velha.. mas ele é casado e tem filhos. Mas isso não quer dizer muita coisa.. deve ter alugado uma mulher e umas crianças pra fingir que é hetero.

    @maiconkf

    ResponderExcluir
  18. Sabe aquele chato que explica? Pois é. Erê, tecnicamente, é a interface, a forma de comunicação entre uma pessoa e seu Orixá. Então, quando ele diz que pra entender o Erê, tem que "estar moleque" e estar com a "consciência leve", Toni Garrido está falando de um determinado de paz de espírito adequado pra se falar com sua divindade.
    Ao menos pra quem crê, que não é o meu caso.

    ResponderExcluir

Vai, comenta! Não dói nada!