12 de julho de 2010

E viveram felizes para sempre...


Precauções: Caro leitor, caso você ainda não tenha percebido que isso é um blog de humor cuja principal intenção é criticar assuntos variados, fica avisado desde já. Não leia o texto abaixo se não quiser corromper os conceitos sobre seus ídolos da infância.

Tendo em vista que “para sempre” é MUITO TEMPO; “felicidade” é relativa; e a frase vem seguida de reticências, cheguei a uma conclusão: Crianças são seres extremamente idiotas. Bom, pelo menos é como costumamos tratá-las.
Os contos de fadas sempre acabam bem e a grande maioria acaba em casamento, querem maior incoerência do que essa?
Como toda criança, cresci ouvindo histórias de princesas, fadas e bruxas (o que eu, particularmente, não acho que seja saudável) mas em um ponto eu me diferenciava das demais: Sempre questionei e critiquei, desde pequenininha. Minha mãe diz que eu nasci revoltada e dou toda razão a ela!
Por que a ingrata Branca de Neve abandona os homenzinhos que cuidaram dela pra ir embora com um bonitão que acabou de chegar na parada? Só por que ele era bonitão? Devemos nos influenciar pelas aparências, é isso?

Por que a irresponsável mãe da Chapeuzinho Vermelho larga uma criança indefesa SOZINHA no meio de uma floresta com um lobo-mau a solta? Tudo pra arriscar uns docinhos pra avó coroca abandonada? A vovozinha não tinha diabetes? A Rapunzel não tem piolhos? O Lobo-mau é pedófilo? A Bela Adormecida não acorda com bafo? Os três porquinhos não comem merda e torcem pro Palmeiras?
Essas e outras dúvidas foram me levando à loucura conforme eu crescia. Que espécie de sádico machista sente prazer em ensinar a influenciáveis menininhas que as mulheres tem mesmo que se fuder a história inteira, agüentar as irmãs mal-comidas e conversar com ratos para, só no fim, surgir o pseudo-herói da história e levá-la embora?
Walt Disney corrompeu uma série de valores que minha família levou anos tentando enfiar na minha cabeça oca pseudo-pensante. A pequena sereia, por exemplo... ela é linda! Alegre, gostosa e cantarolante. Tem um pai poderosão e irmãs coloridas. Eis que ela se apaixona por um humano, que ta pouco se fudendo pra ela, e entrega sua voz à bruxa do mar em troca de pernas!
Antes de mais nada, minha dúvida: Essas pernas já vieram depiladas?
Enfim... Ela consegue as tão desejadas pernas e a platéia vibra de felicidade pensando “Óh, agora ela poderá andar como uma humana e correr em busca do seu amor”. Protesto! A maldita queria DAR e não sabia como. Oral no mar não tava bom, aí ela foi em busca de uma.... Ok, vocês já entenderam.
Resumindo a história da pequena sereia: A idiota queria ser Amélia, a mulher de verdade. Foi em busca de uma vagina e para aperfeiçoar a imagem machista, entregou sua voz. Mulher boa é mulher quieta!
Outra coisa que me incomodava nos contos de fadas era a presença de madrastas e princesas órfãs. Para onde iam as malditas mães? Todas as minhas coleguinhas sonhavam em serem princesas, mas eu NÃO! Por Deus!... Eu nunca quis perder a minha mãe! Longe de mim!



E as bruxas então? Nunca me causaram medo, só conseguiam despertar em mim um espírito de piedade. Para mim sempre foram um monte de mulheres retardadas e mal-comidas que saíam por aí dando pití sem motivos. Raciocinem comigo... o que leva uma pessoa a viver numa casa FEITA DE DOCES e no fim querer comer as duas crianças que apareceram por ali? (ausência de mãe detected). Sim, porque no conto original de João e Maria fica explícito que a bruxa tentava engordar João para comê-lo no jantar. Puta bruxa burra do cacete!
A bruxa da Branca de Neve, por exemplo, que é a própria madrasta (ausência de mãe detected 2) da rapariga? A maluca conversa com o espelho, o que para mim representa alto índice de narcisismo, solidão e insanidade, e ainda faz poções no porão do castelo. Ou seja, ela conversa todo dia com ela mesma tentando se convencer de que é a mais bela do reino e no fim ELA NÃO ACREDITA NELA MESMA! E de quebra produz entorpecentes e outros baguios muito doidos.
Ao mesmo tempo em que a ausência da mãe induz à independência e força de nossas heroínas; a presença de um príncipe no final as torna totalmente carentes e incapazes de serem felizes sozinhas. Aliás, não existem vibradores nos contos de fadas, não é mesmo? E as vassouras dançantes geralmente estão ocupadas exercendo outras funções.
Eu quando mais nova vivia preocupada com o tal pensamento: “Não vou me casar! Além de abandonar minha família vou ter que viver com um homem que usa ombreiras? Não... não quero! Vou trabalhar bastante e comprar meu castelo sozinha!”. Ou melhor: vou caçar feijões mágicos por aí pra ver se eu assalto um castelo de um gigante e roubo sua ‘galinha dos ovos de ouro’, como em “João e o pé-de-feijão”. Isso me traz mais uma dúvida: O João era corinthiano?
Se João era corinthiano eu não sei. Se os três porquinhos eram palmeirenses, eu também não sei, mas que o Walt Disney curtia uns principezinhos são paulinos, isso é fato! Existe melhor maneira de representar um príncipe do que com ombreiras, pluma na cabeça, cavalo branco e voz de tenor?
Convenhamos, não é lá muito macho preferir gritar “Joga as tranças Rapunzel” do que “Solta ela sua bruxa filha da puta!”. Que homem em sã consciência dispensaria todas as moças do reino para correr atrás da jovem que perdeu o sapatinho na escadaria? Nesse caso só vejo uma explicação: Cinderela era a empregada do castelo da madrasta, e homem gosta de dar uma carcada na empregada de vez em quando. Aí sim faz sentido.
E por que raios os anõezinhos da Branca de Neve são tão alegres? Eles são baixinhos, trabalham numa mina debaixo da terra sem um sindicato trabalhista por perto, vivem no meio de uma floresta e dividem uma (repito: UMA!) mulher pra galera toda! Por que eles cantam o dia inteiro? Na hora do jantar... eles cantam. Na hora do banho... eles cantam. Saindo do trabalho... eles cantam! Assim não tem nem coerência chamarmos o mal-humorado técnico da seleção brasileira de Dunga. Eu nunca vi uma pessoa sair do trabalho cantando, o máximo que eu ouvi foi um “Não enche! Vai se foder!”. E a Branca de Neve, além de fugir de casa adolescente, ainda coloca drogas na sopa dos anõezinhos. Vocês ainda gostam dela?
Querem saber como seria um sincero conto de fadas? Não? Vou contar mesmo assim:
“Era uma vez uma princesa triste pois estava encalhada. Sua madrasta mal-comida preparou uma poção para matá-la; mas a malaca, experiente como era, enfiou a poção no rabo e fugiu com um gostosão cujo nome ela mal sabia.
Moral da história: O que mais importa é o volume nas calças.”
Me despeço com um pedido de desculpas, pois me empolguei com o texto. Também pudera, são 17 anos de revolta e dúvidas. Vou ali viver o meu “felizes para sempre” sozinha com meu mal-humor, regime eterno, celulites e excesso de feminismo. Adiós.

19 comentários inúteis:

  1. HIDUASHDAISUDHASIUDH

    Ainda bem que a pixar veio pra salvar.

    o/

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  2. Hahahaha
    o ausência de mãe detected matou... adorei o texto e odiei ao mesmo tempo... triste realidade do meu passado...agora entendo tudo!!!

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  3. quem te garante que o lobo mau nao era o pedobeer??? -q

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  4. OMG! temrinei de ler, eles visam que mães sao desnecessárias,vaginas sao necessarias. Fora as musicas violentas e traumatizantes.. eles sempre colocam a culpa na gente se a canoa virar, a admiração pelo gato berrando,pessoas quebrando aneis valiosos e amores passageiros...OMG! fui enganada

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  5. toda trabalhada na mensagem subliminar infanto pedófila
    kkkkk
    bjs

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  6. Porra, que tanta revolta, Malu!

    Na real, eusó gostava da Pequena Sereia pq ela tinha cabelo vermelho. SÓ.

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  7. leia a Psicanálise dos contos de fada(Bruno Bettlenheim). talvez vc compreenda um pouco mais.

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  8. Eu li o Bruno Bettlenheim, tenho inclusive uma pesquisa na área de contos de fadas que fiz durante o curso de Letras. MERMÃO, poucas coisas são tão eróticas quanto os contos. Só!

    AHAZZA, MALU!

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  9. E já reparou que nos seriados e filmes a maioria das famílias são representadas pelos filhos e pelo pai? Não tem mãe.

    Mta contradição nesse mundo!

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  10. Porra Malu...vc eh fodaa
    conseguiu acabar com a minha infancia hahaha mas confesso q sempre preferi as bruxas e madrastas...hahaha adoraaaavaa a Malévola hahaha
    mas eu detestei a parte da Amélia..carambaa eu ODEIO esssa musicaa por causa dela td mundo acha q eu sou como diz a musicaa Aff
    vai se F....( quem fez a musica)
    mas enfim...vc arrasaaaa
    bjussssss

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  11. huahauahuahua
    eu simplesmente amei! nunca tinha parado pra pensar essas coisas, e vc me deu um banho d reealidade. frustrante isso!

    como a alice, eu só gosto da ariel pq ela tem cabelo vermelho. aliás, a minha barbie da ariel era motivo d inveja! ela tinha cabelo vermelho, peitos (aos 16 anos - e eu aos 21 ainda não tenho tanto) e podia virar seria e humana qdo queria! eu tb quero! (só consegui o cabelo por enqto)...

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  12. Este comentário foi removido pelo autor.

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  13. Caras:
    Inicialmente, o blog foi uma feliz descoberta (Gracias Gentilli).
    Quanto à "ausência de mãe detected", desculpe a chatice, mas tem explicação, sim. A maior parte dos contos de fadas foi criada durante a Idade Média, período no qual a mortalidade materna, durante o parto, era altíssima. Assim, a grande maioria das crianças não tinha mãe, na melhor das hipóteses madrasta.
    É isso.
    Beijinhos e parabéns pelo blog.
    Jorge Miguel
    (jjmmas@hotmail.com)

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  14. Este comentário foi removido pelo autor.

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  15. Gente linda do meu coração: obrigadíssima pelos comentários e críticas. Adoro saber as diferentes opiniões q a galera pode ter sobre um mesmo texto. Isso é demais!
    Jorge Miguel (gêmeos da novela. hehe), já li essa sua explicação em algum lugar... vc retirou de algum livro? Achei muuuito boa!
    Quem tiver mais análises e pontos de vista sobre os contos de fadas, sejam elas sarcásticas ou não, me falem. Esse assunto me interessa demais!!!
    vou dar uma de @Fiuk e confessar: Vcs são demais!
    bjos miiill.

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  16. Malu:
    Depois da novela tornei-me célebre, meu nome ao menos (rsrs).
    A explicação populacinal da Idade Média do outro comentário está presente em vários livros que tratam da História Social do período.
    Um livro bacaninha sobre o tema, para quem gosta, claro, é "A Psicanalise dos Contos de Fadas, de Bruno Bettelheim, Ed. Paz e Terra, 2002. Muito legal é verificar quanto sexo tem escondido nessas, aparentemente, inicentes histórinhas.
    É isso
    Um beijinho
    Jorge Miguel

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  17. Malu, presença de mãe-detected..hahaha
    vc, desde criancinha, sempre se revoltou muito com os contos e sempre achei válida a sua crítica, inclusive contava pros meus alunos e eles choravam de rir... A pequena sereia foi tema de sua festinha de um ano de idade,mas nunca tinha pensado q em troca de ela ser muda, muita vantagem pros homens,kkkk, ela receberia órgãos genitais como os nossos,kkkkk E a peça na escola q vc fez em q a Branca de Neve tava grávida do setimo filho e de saco cheio com o casamento, principalmente com as maçãs... Deve ser por isso q vc num come frutas, né filhota? Te amo demais, meu serzinho mais crítico e engraçado... Vc sempre foi e continua sendo demais... Bjos mil da mami

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